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Carta do 11º Fórum Nacional Extraordinário dos Dirigentes Municipais de Educação

CARTA DO 11º FÓRUM NACIONAL EXTRAORDINÁRIO DOS DIRIGENTES MUNICIPAIS DE EDUCAÇÃO UNDIME 40 ANOS: TRAJETÓRIA, DESAFIOS […]

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Carta do 11º Fórum Nacional Extraordinário dos Dirigentes Municipais de Educação

Carta do 11º Fórum Nacional Extraordinário dos Dirigentes Municipais de EducaçãoCARTA DO 11º FÓRUM NACIONAL EXTRAORDINÁRIO DOS DIRIGENTES MUNICIPAIS DE EDUCAÇÃO

UNDIME 40 ANOS: TRAJETÓRIA, DESAFIOS E PERSPECTIVAS PARA A EDUCAÇÃO MUNICIPAL

Brasília/DF – maio de 2026

Nós, dirigentes municipais de educação reunidos em Brasília/DF, de 24 a 27 de maio de 2026, durante o 11º Fórum Nacional Extraordinário dos Dirigentes Municipais de Educação, reafirmamos nosso compromisso com a defesa da educação pública, gratuita, inclusiva, democrática e de qualidade social.

Ao celebrarmos os 40 anos da Undime, reconhecemos a contribuição histórica da instituição na defesa dos municípios brasileiros, do pacto federativo, da gestão democrática e do direito à educação. Os debates realizados durante o Fórum evidenciaram que os desafios educacionais da próxima década exigem cooperação entre os entes federados, fortalecimento das capacidades institucionais dos municípios e compromisso permanente com a aprendizagem, a inclusão e a equidade.

Nesse contexto, apresentamos os principais posicionamentos:

  1. Sistema Nacional de Educação, Regime de Colaboração e Planos Decenais

Defendemos a regulamentação e implementação do Sistema Nacional de Educação (SNE) como instrumento fundamental para fortalecer o regime de colaboração, reduzir desigualdades territoriais e assegurar maior coordenação das políticas educacionais.

Reafirmamos a importância do Plano Nacional de Educação 2026-2036 e dos Planos Estaduais e Municipais de Educação como políticas de Estado, construídas democraticamente, monitoradas permanentemente e acompanhadas de assistência técnica e financeira compatível com as responsabilidades dos municípios.

A Undime defende como crucial revisar a metodologia estabelecida em relação aos indicadores/metas do novo Plano Nacional de Educação 2026-2036, garantindo que esses indicadores e metas contemplem as particularidades territoriais, socioeconômicas e demográficas dos municípios brasileiros, de modo que seu desdobramento nos Planos Estaduais e Municipais de Educação reflita a diversidade de contextos e realidades que caracterizam a educação municipal no país.

Reafirmamos e reforçamos a luta histórica da Undime pela garantia de uma vaga de membro nato no Conselho Nacional de Educação (CNE), para que enfim seja reconhecida a essencialidade da participação institucional dos dirigentes municipais de educação nos processos de formulação, deliberação e acompanhamento das políticas educacionais nacionais, como expressão real do pacto federativo, considerando a necessidade de dar maior efetividade e concretude ao Regime de Colaboração prescrito constitucionalmente.

  1. Financiamento da Educação e Controle Social

A garantia do direito à educação exige financiamento adequado e sustentável.

Defendemos o fortalecimento do Fundeb, a consolidação dos mecanismos de complementação VAAT e VAAR, a implementação progressiva do Custo Aluno-Qualidade (CAQ) e a atualização dos programas federais destinados à manutenção das redes públicas, como PNAE, PNATE e PDDE.

Reafirmamos a importância dos Conselhos de Acompanhamento e Controle Social (CACS-Fundeb) como instrumentos essenciais de transparência, participação social e fiscalização dos recursos públicos.

  1. Alfabetização e Aprendizagem

A alfabetização das crianças permanece como prioridade nacional.

Defendemos o fortalecimento do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, a implementação do Compromisso Nacional Toda Matemática, a ampliação das ações de recomposição das aprendizagens e o uso pedagógico dos resultados das avaliações educacionais para orientar intervenções capazes de reduzir desigualdades e melhorar os resultados de aprendizagem.

Destacamos a importância da adoção de práticas pedagógicas fundamentadas em evidências científicas como elemento central para o sucesso das ações de alfabetização e recomposição das aprendizagens.

  1. Educação Infantil e Primeira Infância

A educação infantil é estratégica para o desenvolvimento integral das crianças e para a redução das desigualdades.

Ao celebrarmos os dez anos do Marco Legal da Primeira Infância, defendemos o fortalecimento dos Planos Municipais da Primeira Infância, a ampliação da oferta de vagas com qualidade e equidade e a definição de parâmetros nacionais para infraestrutura, insumos e atendimento nas creches e pré-escolas.

  1. Educação Integral

Defendemos a consolidação da educação integral em tempo integral como política permanente, acompanhada de financiamento estável e adequado.

Ressaltamos a necessidade urgente de a União revisar a per capita específica destinada à educação integral, garantindo recursos suficientes para sua expansão com qualidade. Identificamos como um dos maiores gargalos na ampliação das matrículas em educação integral a manutenção da alimentação escolar, demandando investimentos específicos e políticas de sustentabilidade financeira que permitam aos municípios oferecer refeições nutritivas e adequadas aos estudantes em tempo integral.

Reafirmamos também a necessidade de infraestrutura adequada, formação continuada de profissionais e apoio técnico permanente aos municípios para a implementação dessa modalidade educacional.

  1. Inclusão e Equidade

Reafirmamos nosso compromisso com a Política Nacional de Educação Especial Inclusiva, com a educação antirracista, com a proteção integral de crianças e adolescentes e com a superação de todas as formas de discriminação.

É fundamental ampliar os investimentos destinados à formação continuada dos profissionais da educação, ao Atendimento Educacional Especializado (AEE), à acessibilidade e aos recursos necessários para a inclusão dos estudantes com deficiência.

  1. Inovação, Inteligência Artificial e Cultura Digital

As transformações tecnológicas exigem políticas públicas que promovam inovação com responsabilidade.

Defendemos a implementação da BNCC Computação, a ampliação da conectividade significativa nas escolas públicas, a educação midiática e o uso ético da inteligência artificial nos processos de ensino, aprendizagem e gestão educacional.

A formação dos profissionais da educação e a promoção da cidadania digital são condições indispensáveis para que as tecnologias contribuam para a aprendizagem e para a redução das desigualdades.

  1. Gestão Educacional, Avaliação e Governança

A melhoria da aprendizagem depende de planejamento, liderança e tomada de decisão baseada em evidências.

Defendemos o fortalecimento da gestão educacional, o aprimoramento dos sistemas de informação, do Censo Escolar e dos instrumentos de monitoramento das políticas públicas.

Os resultados das avaliações externas devem apoiar o planejamento pedagógico e a melhoria da aprendizagem, sem caráter punitivo ou de ranqueamento das redes e escolas.

  1. Formação Inicial e Valorização dos Profissionais da Educação

A valorização dos profissionais da educação começa pela qualidade da formação inicial.

Os resultados recentes do Enade das Licenciaturas reforçam a necessidade de fortalecer os cursos de formação docente, ampliar a articulação entre instituições formadoras e escolas de educação básica e assegurar experiências formativas compatíveis com a complexidade do trabalho pedagógico.

Reafirmamos a importância da presencialidade, do estágio supervisionado, da integração entre teoria e prática na formação inicial e na formação continuada como elementos essenciais para a valorização da docência e para a melhoria da qualidade da educação pública.

  1. Programa Nacional do Livro e do Material Didático

Defendemos o fortalecimento do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), com ampliação significativa do atendimento em livros, materiais didáticos e acervos literários para as redes municipais de educação.

Reconhecemos que esses recursos são fundamentais para alavancar os programas de recomposição de aprendizagens, alfabetização, educação integral e educação inclusiva, constituindo-se em ferramentas essenciais para a melhoria da qualidade educacional e para o acesso equitativo ao conhecimento em todos os municípios brasileiros.

Considerações Finais

Ao completar 40 anos de história, a Undime renova seu compromisso com a defesa da escola pública, da gestão democrática, da cooperação federativa e da garantia do direito à educação para todos.

A Undime, como corpo plural que representa a diversidade dos municípios brasileiros e seus dirigentes de educação, reconhece as diferentes realidades, desafios e potencialidades presentes em cada território, mantendo-se comprometida com a construção coletiva de soluções que respeitem essas particularidades e fortaleçam a educação municipal em toda sua complexidade.

Os municípios brasileiros seguem sendo protagonistas da educação básica e continuarão atuando para assegurar acesso, permanência, aprendizagem, inclusão e equidade para todos os estudantes.

A Undime permanecerá mobilizada em defesa de políticas públicas capazes de fortalecer os sistemas municipais de ensino e contribuir para a construção de um Brasil mais justo, democrático e desenvolvido.

Brasília/DF, 27 de maio de 2026.

LUIZ MIGUEL MARTINS GARCIA

Dirigente Municipal de Educação de Nova Odessa/SP
Presidente da Undime

Pela plenária do 11º Fórum Nacional Extraordinário dos Dirigentes Municipais de Educação

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